{"id":1914,"date":"2020-12-17T20:42:51","date_gmt":"2020-12-17T20:42:51","guid":{"rendered":"https:\/\/professoracarlapatricia.com.br\/icp\/?p=1914"},"modified":"2020-12-17T21:51:01","modified_gmt":"2020-12-17T21:51:01","slug":"elisa-e-marcela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/professoracarlapatricia.com.br\/icp\/2020\/12\/17\/elisa-e-marcela\/","title":{"rendered":"ELISA E MARCELA"},"content":{"rendered":"<p>Imagine o seguinte cen\u00e1rio: em 1901, na Espanha, duas Professoras se apaixonam e se casam na igreja cat\u00f3lica. Pode parecer s\u00f3 fic\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9. O lind\u00edssimo filme (2019) \u201cElisa e Marcela\u201d, da diretora Isabel Coixet, narra essa hist\u00f3ria que \u00e9 real e \u00e9 contada no livro \u201cElisa e Marcela: al\u00e9n dos homes\u201d, do espanhol Narciso de Gabriel. Ao perceberem a rejei\u00e7\u00e3o da sociedade, as duas amantes criaram um plano para legitimar a rela\u00e7\u00e3o. Elisa se transformou em Mario, um primo seu falecido; de posse dos seus documentos, foi batizada e obteve a b\u00ean\u00e7\u00e3o da doutrina cat\u00f3lica para, ent\u00e3o, casar-se com Marcela. Os coment\u00e1rios da vizinhan\u00e7a, contudo, s\u00f3 aumentaram, at\u00e9 que o casal fugiu para Portugal. A persegui\u00e7\u00e3o n\u00e3o parou, as insinua\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as se avolumaram, e as duas foram presas.<\/p>\n<p>Algumas das mais belas cenas do filme mostram os dias em que as protagonistas estiveram presas e se comunicavam por cartas. Em dado momento, uma delas resume o sentimento de quem \u00e9 alvo constante de \u00f3dio e intoler\u00e2ncia: \u201ca pris\u00e3o \u00e9 boa. \u00c9 do mundo externo que n\u00e3o gosto.\u201d Apesar de todas as circunst\u00e2ncias desfavor\u00e1veis sob o ponto de vista da moral, \u00e0 \u00e9poca, Elisa e Marcela foram absolvidas pelo Judici\u00e1rio. H\u00e1 um fato inusitado nessa hist\u00f3ria \u2013 na realidade e no filme \u2013 Marcela engravidou e teve uma filha em janeiro de 1902; at\u00e9 hoje n\u00e3o se sabe quem era o pai da crian\u00e7a. Livres da pris\u00e3o, mas presas \u00e0s r\u00edgidas conven\u00e7\u00f5es do in\u00edcio do s\u00e9culo passado, as duas fugiram mais uma vez, agora com destino \u00e0 Argentina. No pa\u00eds sul-americano, exerceram o hoje chamado \u201cdireito ao esquecimento\u201d: mudaram de nome, encontraram novo trabalho, reconstru\u00edram a vida.<\/p>\n<p>O filme, que traz as atrizes Natalia de Molina (Elisa) e Greta Fern\u00e1ndez (Marcela), \u00e9 passado em preto e branco. Percebe-se a genialidade da diretora no decorrer da trama, em que os papeis de Elisa e Marcela aproximam-se e distanciam-se, como em um vai e vem proposital e que justifica a escolha de duas cores suficientes para mostrar o dualismo nessa hist\u00f3ria. A luz e a trilha sonora s\u00e3o primorosas e, igualmente, exercem a fun\u00e7\u00e3o de refletir a paix\u00e3o vista e sentida por duas mulheres, cada qual \u00e0 sua maneira. Ali\u00e1s, as cenas de amor entre as duas s\u00e3o primorosas, de extrema delicadeza e de refinado bom gosto. Fica aqui uma provoca\u00e7\u00e3o: as atrizes e as personagens s\u00e3o muito parecidas fisicamente. Para real\u00e7ar as semelhan\u00e7as, o figurino, os cabelos, a maquiagem, as tomadas de cenas, tudo contribui para que o espectador perceba a semelhan\u00e7a entre Elisa e Marcela. H\u00e1 uma raz\u00e3o sutil e encantadora para que isso seja destacado no filme. Vale conferir!<\/p>\n<p>Ah!&#8230; um detalhe: o casamento de Elisa e Marcela, na vida real, nunca foi anulado.<\/p>\n<p><em>*Texto originalmente publicado no @vamos.falardefeminismo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine o seguinte cen\u00e1rio: em 1901, na Espanha, duas Professoras se apaixonam e se casam na igreja cat\u00f3lica. Pode parecer s\u00f3 fic\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9. 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